sábado, 16 de agosto de 2008

Collide

...

Como é que pode alguém ter tanta vocação para o Caos?
É o maldito oceano...
Você está cansado de saber que é o maldito oceano, mas você não pára.
O mar parece ainda estar longe, mas não importa.
Tudo o que você quer é sentir que as ondas vão em suas pernas por um tempo.
Como se isso te aliviasse de qualquer coisa presa em sua mente.

Você se aproxima e sente o sal dançando ao seu redor.
No vento que te leva...
Por você se deixar levar.

É o maldito oceano...
Perigoso, voraz, pronto pra te devorar e deglutir.
É o maldito oceano e você não se importa.

Quanto vale um segundo no tempo dos homens?
Quanto vale um segundo a deriva?
Quanto vale um segundo jogada no oceano, sem saída?

As ondas gelam seus pés naquele movimento insano de vai e volta.
A vida dá voltas e isso também é insano às vezes.
De início a sensação de vertigem
Você não sabe se é prazer ou medo do mar.
Se é um anjo que te guia ou uma alerta pra não se afogar.
Às vezes parece que a vertigem nunca vai passar,
mas você não se importa.
Tudo o que você quer é se jogar a mais uma aventura louca e irresistível.
Porque você gosta de dançar com o perigo.
É o maldito oceano e isso não parece fazer sentido.

Tem luas que te transformam num bicho...
Um animal indócil e sem juízo.
E você aceita o jogo.
E veste seu personagem.
E brinca com o Caos pra ver quem pisca primeiro.
É melhor você não piscar!
Porque o mar é perigoso e às vezes você não sabe nadar.

É uma dança lívida, sem ritmo, sem cor, sem tempo...
É uma dança bandida, química...
Que extasia, e vicia!
Que deixa louco pra saber dançar, pra continuar a brincar.

É o maldito oceano e você não parece se importar.
Você sabe que vai se afogar
Sabe que não pode brincar com o Caos sem se machucar
Mas você não se importa!
Tudo o que quer são alguns segundos mais.

É o maldito oceano...
Você está cansado de saber que é o maldito oceano...
Como pode alguém ter tanta vocação para o Caos?
Como posso caber em tantas besteiras de mim?
Talvez eu só não queira morrer assim!

...
(Ao som de Howie Day, especialmente Collide, e Lifehouse.)

4 comentários:

Rodolfo disse...

Gostei muito do texto.

Interessante ver a vida como um oceano. mesmo porque ultimamente me sinto um naufrago...

Vou continuar ansiando pelos seus texto...

Laís Mendes disse...

E eu tenho sido náufraga também, meu amigo.
Você não imagina o quanto...

Por isso os oceanos...
A beleza do perigo! ^^

Jader Rubini disse...

Hello, hello
I'm at a place called Vertigo
It's everything I wish I didn't know
Except you, give me something I can feel

[...]

Hello, hello
I'm at a place called Vertigo
Lights go down and all I know
Is that you give me something I can feel

Laís disse...

Comentário enigmático Sr.Jader Rubini! rs