sábado, 9 de janeiro de 2010
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
A vontade é que eu diga tudo, explique tudo, diga o que fazer... Eu sei! E sei também que eu poderia fazer. Mas não pode ser tão simples! Eu não posso te obrigar a ver!
O acontecido aconteceu, passou, e, na verdade, o problema nem é esse! O que faz sofrer mais não é a falta das mãos, do abraço, da companhia... O que faz sofrer mais é a falta do olhar, das perguntas, das palavras...
Eu sei que eu poderia explicar tudo e cessar as lágrimas, transcender para uma nova etapa... Mas eu não posso! Não pode ser tão fácil! Não pode ser tão simples! Não pode ser tão rápido...
Precisa ser um parto! ... Doloroso, certo, limpo. E você precisa querer dar à luz!
Na verdade, dói muito mais em mim... Ver tudo claramente e me calar. Mas você precisa querer ver! Você precisa querer entender!
Eu posso entregar meus sorrisos aos seus vermelhos, mas as lembranças ainda estão lá, esperando por você.
E isso eu não posso te obrigar a ver!
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Disappear...
É só uma paranóia!
Uma paranóia... Como muitas que já tive antes.
Borboletas rondando a cabeça,
confundindo minha visão e embaralhando minha mente.
Não se preocupe assim por tão pouco, querido.
É só uma paranóia, e ambos sabemos disso!
Não me diga palavras por hoje.
Só hoje...
Só hoje, fique em silêncio comigo.
Não quero palavras repetidas,
nem promessas, nem sonhos, nem fantasias...
Hoje quero só o tempo, querido.
Só o tempo de confiar no tempo.
Eu sei! É só uma paranóia!
Você se vai e eu fico olhando enquanto some.
Eu sei que você irá voltar!
E todas essas palavras, hoje são minhas.
Tanto faz se já foram palavras antes.
Tanto faz se já foram ditas.
Hoje... são minhas!
Você se vai novamente e eu fico olhando enquanto some.
Todo mundo vê que você irá voltar.
Todo mundo vê você me abraçar.
E todo mundo diz que você me ama e que a gente tem tudo a ver.
E todo mundo diz que você é meu e que eu fui feita pra você.
Você se vai tantas vezes e eu fico olhando enquanto some.
Todo mundo sabe que você irá voltar.
Eu sei que você irá voltar!
É só uma paranóia!
Uma paranóia... E só!
[Ao som de Beyoncé - I am... Sasha Fierce]
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sábado, 25 de abril de 2009
Pois não... Esperança é um pouco de fé. Acho que as duas se completam, sabe? Esperança é um jeito de não deixar a fé morrer. Quando a gente olha pra um lado, olha pro outro e não vê saída, não se encontra. É preciso ter fé que algo vai dar certo, e é preciso esperar também! É preciso esperar pela chance de correr atrás do que se quer, pela chance de ter fé.
"E em terra de cego, quem enxerga está só. É isso que vc sente, a solidão da compreensão do mundo."*
É exatamente isso! E eu sei muito bem onde está a ferida. E sei também que ideologias demais, críticas demais, enxergar demais e sonhar demais não faz de nós heróis e nem mocinhos com finais felizes. Muitos já desistiram da luta, e muitos outros morreram por não suportá-la. Acho que todo mundo que pensa que enxerga demais, que vê as coisas como elas são, acaba sofrendo demais também. É o preço que se paga. E o preço que se paga às vezes é alto demais!
Isso me lembra alguém com quem me identifico sem conhecer, Renato Russo. Música pra adolescente em crise? Sim! Mas eu ainda sou uma adolescente em crise!
Ainda sou uma adolescente com ideais, com sonhos de fazer mais, de ser mais, uma adolescente que quer mais do mundo. Aquela que ainda pensa que é possível mudar o mundo.
Renato Russo era um personagem, do Renato Manfredini que escrevia, em cada letra, sua revolta com o mundo, sua pressa de viver, sua angústia de sempre... estar só!
Estar só no âmbito de ver as coisas de um jeito que ninguém mais vê. E, portanto, de não alcançar a compreensão das pessoas ou o respeito por seus ideais e valores. Estar só porque quando se quer chorar, não se sabe quem estaria disposto a te abraçar e dizer que tudo ficará bem. Não se sabe quem ou se alguém se importaria de fato.
É tudo que corrói e que queima por dentro. "A paixão dos suicidas"! A obrigação de seguir as normas e os padrões hipócritas e a impossibilidade de ser livre!
Livre...!
E quando falo em ser livre, não falo da utopia de fazer o que quiser. Mas falo de ser livre para pensar e ser o que quiser.
"Liberdade é escolher os próprios grilhões."
Não me lembro quem foi que disse, mas certamente ele alcançou cada noite insone e cada dissertação revoltada sobre a dor de não se adaptar.
"Mas o choro também é sinal de vida, de desejo de viver, de agir pela própria vida. De revolta pela impossibilidade de retornarmos à quietude."*
E eu estou viva!!!
E ainda irei chorar muitas vezes e morrer de ódio e de amor por toda a minha vida.
E irei escutar muitos conselhos e seguir quase nenhum deles.
Porque EU... ESTOU... VIVA!!!
E nada, nem ninguém, pode comandar a MINHA direção!
Estou aprendendo a respirar com calma e a andar com cuidado.
Cada primeiro passo, um de cada vez.
Recém-nascida...
Choro. Mas não pretendo retornar à proteção perfeita e ideal.
Choro aflita para que me tirem das grades do berço e me deixem caminhar meus primeiros longos passos.
E repito pra mim mesma:
Sonhe!
E "Respire! Respire pelo menos 2 vezes por minuto! Mantenha-se viva."*
Slow down, you're doing fine.
You can't be everything you wanna be before your time,
Although it's so romantic on the borderline tonight.
Too bad, but it's the life you lead.
You're so ahead of yourself that you forgot what you need.
Though you can see when you're wrong,
You know, you can't always see when you're right.
You've got your passion. You've got your pride,
But don't you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don't imagine they'll all come true.
When will you realize Vienna waits for you?
Obs.: Esse texto foi inspirado e escrito em resposta ao comentário de Rodrigo Vieira em “A própria cegueira”. As citações em * correspondem às frases escritas por ele.
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Laís Mendes
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
Espera
"Slow down, you crazy child. You're so ambitious for a juvenile. But then if you're so smart, tell me why are you still soafraid? Where's the fire? What's the hurry about? You better cool it off before you burn it out. You got so much to do and only so many hours in a day." (Billy Joel - Vienna)
Eu preciso encontrar um jeito de ficar em paz nessa casa, se cada coisa aqui me desestrutura. Minhas impossibilidades já são peso o bastante, não posso deixar que tal sistema me derrube ao chão.
Eu preciso encontrar uma forma de respirar, de parar o tempo, de entrar em contato comigo mesma... Uma forma de não esquecer quem sou!
Preciso de uma forma de canalizar as forças, não desperdiçar energias em brigas vãs. Preciso de uma forma de esperar...
Esperar que a vela se apague, que o incenso se queime, que o barulho se acabe. Esperar que os braços relaxem, que a coluna doa, que os olhos se fechem. Esperar que as palavras sumam, que o pensamento se acalme, que o coração siga o ritmo. Esperar que as palavras ressurjam, que a ira desista, que a esperança reapareça. Esperar pelo talento, esperar algum alento, esperar pelo tempo. Esperar que a noite chegue e vá embora. Esperar sair porta afora. Esperar pela luta, esperar pelo cansaço, esperar pelo sono. Esperar pelo alívio, esperar pelo perdão, esperar a volta pra casa. Esperar a poesia, esperar pelo sonho, esperar pela vida. Esperar a mudança, esperar a compreensão, esperar o compasso. Esperar as vitórias, esperar pela calma, esperar a chegada. Esperar pela própria alma, pela chance de TER alma, pelo direito de SER alma. Esperar que se possa escolher, que se possa fazer, que se possa viver. Esperar pela resposta, pela pergunta, pela conversa. Esperar...
Eu preciso apenas encontrar uma forma de ficar... em paz... quando nada mais me interessa.
Esperar pela hora de recomeçar!
(Laís Mendes, 06 de abril de 2009)
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A propria cegueira
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Eu sei... É cruel negar ajuda a um cego. Mas que se há de fazer? Arriscar-se a ficar cego também? Viver um pouco mais do inferno, do caos e da podridão do mundo? Mendigar amor, respeito e bom senso daqueles que já vivem como animais? Que se há de fazer, meu Deus? Ser obrigado a prostituir-se por um pouco mais de qualquer coisa? Renunciar a princípios, orgulho e amor próprios, renunciar aos sonhos...? Eu sei... Essa é uma cegueira temporária pela qual estou passando, mas ainda assim recuso-me ao risco de ficar cega para sempre.
Isso não é um Ensaio Sobre a Cegueira. É um protesto sobre a falta de esperanças! São 20 anos pra mim. 20 anos... São palavras sem cor e sem brilho. Palavras sem vida. São lágrimas choradas, gritadas e sofridas. É o travesseiro me sufocando por 20 anos de noites tempestuosas sem saber como amanhecer. Se estaria cega. Se enxergaria mais e melhor. Se conseguiria suportar...
Há um pouco de esperança ainda? Não sei!... Eu simplesmente não sei! Não sei dizer se é o medo ou o ódio. Se é a mágoa ou a piedade. Se é fraqueza ou só torpor... Eu simplesmente não sei! E me sinto tudo num só segundo. Fraca, louca, cega e cruel... É o fim e o começo. São os mesmos dias agora e sempre. A mesma velha angústia. A mesma dor... É a mesma vida e a mesma morte, então, esperanças para que? Esperar que um dia todos acordemos, e, de repente, agora se enxerga? Essa cegueira sempre existiu. Enquanto eu existo, ao menos, ela existiu.
Dito isso, sinto-me no direito de não esperar mais nada. De não estender mais o braço para tentar levantar aqueles que preferem o chão. Sinto-me no direito de não chorar mais as lágrimas que já não me existem. No direito de não pedir mais amor. Nem, tampouco de desejá-lo. Sinto-me no direito de empunhar a tesoura afiada e matar a esperança infantil que só me fez sofrer. Durante a minha cegueira... A cegueira de toda uma vida na qual acreditei que é possível suportar tudo. Que é possível relevar, esquecer... perdoar. Durante a cegueira que me fazia chorar até dormir de cansaço e acordar num novo dia, numa nova vida, numa nova esfera...
Como se o mundo anterior jamais tivesse existido. Como se fosse um sonho... Ruim, mas um sonho, e nada mais. Pra ser sincera, ainda parece um sonho às vezes... E nada mais!
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Confraternização de fim de ano!
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Havia um nó em minha garganta. Um daqueles sapos bem grandes e gordos, estacionado, bem ali, por onde passava o ar que eu respirava. Aquele silêncio interminável, típico de quem havia falado demais. Era preciso manter o silêncio, parar de respirar, segurar qualquer movimento que fizesse com que eu piscasse os olhos e expulsasse as teimosas gotas de cristal alojadas por ali. Por que diabos eu havia falado demais? Já havia sobrevivido tanto tempo sem colocar aquilo pra fora, poderia muito bem continuar sobrevivendo daquela maneira. Mas de repente, num impulso de revelar tudo, o passado invadia meu peito e fazia com que a angústia falasse por mim. Eu nunca gostei de parecer frágil, nem de falar de sentimentos, fazer confissões ou desabafos. A vida inteira foi “eu e eu mesma”, juntas. Eu por mim e por todo o resto, apenas. A única pessoa que sempre esteve ali, me apoiando, me ouvindo, se importando. A única pessoa que sempre esteve comigo: eu! Pode parecer egoísta ou insensato, mas não foi uma escolha pessoal. Na verdade, as coisas foram acontecendo em seu próprio ritmo, exatamente aquele que me colocava alheia a tudo. Aquelas velhas perguntas que já vinham acopladas com respostas prontas, sem que você pudesse escolher dizer a verdade, sem o menor interesse no que você pudesse dizer. E eu, simplesmente, me acostumei a aceitar as respostas prontas e calar minhas verdades. E agora eu tinha acabado de descarregar todo o ódio que me impedia de ser uma pessoa satisfeita. E eu sabia que jamais seria. A felicidade jamais existiria! Então eu simplesmente confessava que era fraca e covarde o bastante para viver uma vida de enganos. Todos os meus pequenos crimes estavam ali, vagando sobre nossas cabeças. O passado, mais uma vez, me atormentando, com todos os seus fantasmas e cheiros. Cheiro de mofo, cheiro de sangue, cheiro de sal. Aquela cor opaca e repugnante. E aquele gesto inevitável de olhar pela janela para fugir dos olhos que me fitavam sem entender o “eu-revolta” que acabara de se apresentar de forma estonteante e devastadora. Na verdade, é muito simples. Bastava entender que eu estava na esfera errada. Bastava aquele momento não ter existido. Eu continuava a ver luzes de natal voando pela janela. E sentindo aqueles olhos atordoados a me seguirem. Era mais fácil continuar sem mostrar meu abismo interior. A vontade era desaparecer, virar pó. E agora vejo que essa vontade não desapareceu, mas inundou-me e tomou conta de tudo. Porque os sapos se multiplicam e a lagoa se torna cheia. Por vezes, eu não sei o que faço comigo.
..
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Laís Mendes
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